Metodologia
A Defesa Climática Popular é uma iniciativa que reúne tecnologia, participação popular e saberes locais para fortalecer a prevenção a eventos climáticos extremos. A proposta é construir, junto com quem vive o território, um processo de mapeamento participativo que identifica riscos e apoia ações de preparação.
Esse processo reúne práticas comunitárias, conhecimento local e dados oficiais para compor um retrato claro e acessível do território. A iniciativa também funciona como ferramenta de mobilização e incidência por políticas públicas, reconhecendo os saberes locais, dando visibilidade aos problemas enfrentados e fortalecendo a resiliência comunitária.


como O MAPA fOI CONSTRUÍDO
O Mapa foi construído junto aos moradores, em parceria com pesquisadores do Instituto de Geografia da UERJ, a partir de oficinas de cartografia colaborativa. Nesse processo, os saberes da comunidade se encontraram com análises de risco hidrológico, permitindo identificar as áreas mais suscetíveis a inundação e outras situações que afetam o cotidiano do território.
Além dos riscos, o mapeamento também registrou pontos de apoio importantes — como caçambas, serviços públicos, iniciativas locais e sugestões de ecopontos — formando um retrato mais completo das possibilidades de cuidado e preparação. As informações foram complementadas com dados oficiais e fontes públicas, e organizadas por meio de um processamento técnico.
Da rua ao mapa
Como as vivências do território se uniram às análises técnicas para construir o mapeamento

Escuta e mapeamento no território
As primeiras informações surgiram nas oficinas de cartografia colaborativa, onde moradores registraram áreas vulneráveis, pontos de apoio e situações recorrentes do cotidiano. Esses relatos formaram a base inicial do mapeamento e orientaram a compreensão do território.

Análises hidrológicas e ambientais
O material levantado em campo foi combinado com estudos hidrológicos e ambientais, considerando declividade, rede de drenagem e bacias hidrográficas. Essa etapa ajudou a identificar como a água se comporta no território e quais áreas apresentam maior suscetibilidade.

Consolidação do mapa
Com os dados comunitários e técnicos reunidos, as informações foram organizadas em camadas temáticas e classificadas segundo critérios de risco. Essa sistematização permitiu consolidar um mapa claro, integrado e fiel às dinâmicas do território.
Como a escuta do território orientou o processo
A comunidade é o coração da ferramenta. O processo de construção do mapa se apoiou na escuta ativa das experiências de quem vive o território. Moradores compartilharam percepções sobre áreas vulneráveis, obstáculos enfrentados em dias de chuva e locais que já funcionam como apoio para a comunidade. Essas vozes ajudaram a orientar o olhar técnico e deram profundidade ao mapeamento final.

Como ler o mapa
O mapa reúne diferentes tipos de informação para ajudar a entender o território e identificar áreas que merecem atenção

Suscetibilidade a alagamentos
As cores indicam o nível de suscetibilidade do terreno. Tons mais quentes mostram áreas que podem alagar com mais facilidade, enquanto tons mais claros sugerem menor risco.

Pontos de apoio e serviços
O mapa destaca locais que podem ajudar em situações de risco, como serviços públicos, iniciativas locais e caçambas. Eles servem como referência para o dia a dia da comunidade.

Navegação no território
A visualização permite explorar ruas e pontos de referência do bairro, ajudando a localizar áreas conhecidas e a entender como cada parte do território se relaciona com os riscos.
DE OLHO NOS RISCOS
Desastres não são naturais. Não por acaso, populações periféricas estão mais expostas aos riscos climáticos e ambientais.
“Risco” se refere a possibilidade de um dano acontecer. De forma simples, o risco é resultado da interação entre uma ameaça (como uma chuva forte ou poluição) e a vulnerabilidade de um território, que pode ser causada por falta de infraestrutura, negligência do poder público ou desigualdades históricas.
Protocolos internacionais, como o Marco de Sendai 2015 – 2030, defendem que a gestão de riscos de desastres deve ser feita com participação da comunidade para ser mais efetiva. Nós também acreditamos que a solução começa nos becos e nas ruas, com os nossos saberes e as nossas mãos.
Por isso, usamos o termo “risco” para nomear os sinais que os próprios moradores percebem no dia a dia, identificando de forma preventiva indícios que possam contribuir com a proteção da comunidade e a defesa de políticas de adaptação para o território.

quais riscos são considerados
Consideramos apenas os relatos que podem contribuir com a redução de riscos de desastres no território. As categorias foram construídas de forma participativa, a partir das situações mais frequentes identificadas pelos moradores:
Alagamento
Situações ligadas ao acúmulo de água, como ruas ou becos que enchem com facilidade, áreas onde a água escoa lentamente e pontos suscetíveis a transbordamentos.
Lixo
Acúmulo de resíduos, bueiros obstruídos, lixeiras sobrecarregadas ou condições que podem dificultar a drenagem da água e agravar problemas no território.
Outros
Elementos identificados pelos moradores durante o mapeamento, como fios expostos, calor intenso, estruturas frágeis ou outras situações que afetam a vida cotidiana.
OUTRAS DÚVIDAS
Para que este mapa pode ser usado?
O mapa ajuda a identificar áreas mais suscetíveis a alagamentos e pontos de apoio no território. Ele pode ser usado para planejar rotas mais seguras, orientar ações comunitárias, apoiar projetos locais e contribuir para discussões sobre políticas públicas relacionadas a risco e infraestrutura.
Por que o mapa mostra apenas alguns tipos de risco?
O mapeamento realizado no Jacarezinho priorizou situações relacionadas à água e ao relevo, que são as mais recorrentes no território. Outros tipos de risco podem ser incorporados no futuro, de acordo com as necessidades da comunidade e com novas etapas de trabalho.
A tecnologia de monitoramento ainda está disponível?
O projeto conta com uma tecnologia que permite registrar situações do território de forma simples, pelo WhatsApp ou pelo site. Ela não está ativa no momento, mas pode ser adaptada ou retomada caso a comunidade e as organizações parceiras decidam reativar o monitoramento no futuro.
Quem pode acessar e usar os dados do mapa?
As informações apresentadas no mapa são públicas e podem ser usadas por moradores, pesquisadores, organizações locais e gestores públicos, desde que respeitada a finalidade de fortalecer ações de cuidado, prevenção e planejamento no território.
Quem fez esse mapa?
O sistema foi desenvolvido com o apoio do Instituto de Geografia da UERJ, unindo o conhecimento técnico da universidade com os saberes de quem vive no Jacarezinho. A proposta é construir uma ferramenta útil, acessível e conectada com a realidade do território. A base de dados também pode servir para mapear outros riscos no futuro – como ilhas de calor ou zonas de frescor – e apoiar a criação de alertas comunitários com tecnologias simples e de baixo custo
Posso usar essa tecnologia no meu território?
A ferramenta foi desenvolvida em código aberto, o que significa que pode ser acessada, adaptada e replicada por outras comunidades e projetos.
Apesar de ser aberta, essa tecnologia é segura: os dados sensíveis das pessoas não ficam expostos e há cuidados para garantir a privacidade de quem participa. O código aberto permite mais transparência e facilita que outras equipes ou coletivos possam colaborar, melhorar e levar essa ideia para outros territórios.
Essa escolha permite que a tecnologia desenvolvida no Jacarezinho sirva de base para iniciativas em outros territórios periféricos ou vulnerabilizados, incentivando trocas, melhorias e construções coletivas em torno da justiça climática.
Se quiser saber mais sobre como adaptar essa tecnologia para o seu território, entre em contato com a gente pelo formulário abaixo.

FICOU COM ALGUMA DÚVIDA?
Ficou com alguma dúvida ou quer saber mais sobre a iniciativa? Entre em contato com a gente!




